Ações que colocam os estudantes no centro do processo de ensino

Ações que colocam os estudantes no centro do processo de ensino

Promover um espaço interativo, com troca de conhecimentos, é uma ação essencial para deixar o aluno no centro do processo educativo, permitindo que ele seja protagonista da própria história e participe de um mundo mais cidadão.

Diogo Mendes, coordenador dos ensinos Fundamental e Médio do Colégio Alub na 706 Norte, diz que as instituições precisam entender que nenhum estudante chega à escola sem conhecimento prévio. É importante conhecer a demanda, a história e a realidade da vida de cada aluno e educar a partir desse princípio. “Temos que compreender que o estudante não é uma tábula rasa. Precisamos trazê-lo para o centro do processo educativo, sim, não só como um indivíduo passivo. Eles sempre têm algo a contribuir. E a grande importância da escola, hoje, é dar voz para esses indivíduos, pois, muitas vezes, eles são sufocados pela família, pela sociedade e até mesmo por educadores”, afirma o coordenador.

Colocar o aluno na posição de transformador ou agente da própria história faz com que ele entenda melhor como o processo educativo funciona e o seu lugar na sociedade.

Vocação

Learice Alencar, gerente educacional do Alub e especialista em reestruturação pedagógica, observa que os professores precisam ser vocacionados. O professor deve mediar a construção do conhecimento do aluno junto a ele, um vínculo que faz toda a diferença no processo de aprendizagem.

A especialista afirma que um dos grandes desafios do processo educativo é vencer o medo de perder o controle da escola e de que dar a voz aos alunos os coloque em situações constrangedoras diante da voz coletiva. “Para nós que vivemos em Brasília, o conteudismo fala muito alto com vistas às aprovações em exames, pois é possível que os pais pensem que as atividades que levam à participação e à formação cidadã exigem muitos projetos transversais e paralelos, o que pode levar à interpretação de que as aulas não estão sendo dadas”, destaca. “Tem crescido, no entanto, o número de pais que buscam esse modelo de escola e de formação.”

E os alunos têm muito a contribuir, segundo Learice, pois fazem parte de uma geração criativa e ágil. “Os projetos sociais inseridos no contexto da escola dão aos alunos a possibilidade de trabalhar para a sociedade. Temos um projeto de empreendedorismo social em que os alunos avaliam a comunidade em que moram, verificam em que poderiam contribuir de forma a melhorar algo por lá, elaboram um projeto, se mobilizam e agem. Os resultados são diversos: praça reformada, perucas para associação que ajuda a pessoas com câncer, feira de doação de animais, festa junina organizada para escola carente, entre outras. Isso sem falar nos debates riquíssimos que trazem contribuições bem fundamentadas”, finaliza.

O que pensam os jovens estudantes:

36% querem realizar atividades práticas ou resolução de problemas;

27% desejam usar tecnologia;

25% querem ter algumas disciplinas obrigatórias e escolher outras;

18% preferem ter disciplinas obrigatórias no horário da aula e escolher as do contraturno.

Fonte: Cb matéria transcrita e editada da edição do Correio Braziliense do dia 21 de outubro de 2017. Pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, realizada, em 2016, com 132 mil adolescentes e jovens brasileiro pela agência Porvir e pelo Instituto Inspirare.

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