Amor em nossas ações – A história de Felipe Ribeiro

Amor em nossas ações – A história de Felipe Ribeiro

Venho de uma tradicional família de educadoras. Minhas avó e tias exerceram a profissão com muito amor e dedicação, minha mãe foi a exceção. Elas sempre foram exemplos para mim, mas nunca pensei em me tornar um professor. Comecei a vida universitária estudando Jornalismo. Imagine em uma pessoa que adorava as matérias relacionadas à História! Não deu nem para eu voltar para o 2º Semestre! Essa disciplina não saía da minha cabeça e a sementinha estava plantada: eu ia mudar de curso!

Já no primeiro semestre, consegui ser monitor de uma escola em Taguatinga. A experiência de estágio era maravilhosa. Aprendia com os mestres e ajudava os estudantes que também precisavam muito. De repente, eu estava em uma segunda instituição e o amor pela profissão só crescia, assim como a responsabilidade.

Alunas do Alub estudando história

Ainda como estagiário, organizei a participação dessas escolas na Olimpíada Nacional em História do Brasil. Que incrível! Três equipes se classificaram para a final e uma equipe conquistou uma medalha de prata! Como eram bons aqueles meninos! Como foi difícil e recompensadora essa experiência! Sem falar que, ainda muito novo, fui confundido com aluno pela TV da UNICAMP ao dar entrevista no dia da premiação. Muitas gargalhadas e muita satisfação por poder ter ensinado e aprendido com meus alunos e alunas.

Quanto mais desafiador e difícil eram os caminhos pelos quais eu passava, mais eu tinha a certeza de que eu estava no caminho certo! O maior deles era enfrentar as novas gerações, seu imediatismo, seu gosto – em muitos casos, vícios – pela tecnologia digital. Tornou-se obrigatório elaborar trabalhos e aulas em que eu pudesse trazer os meninos para a realidade de uma disciplina como a História, que parece ser tão abstrata para os mais novos!

Daí em diante foi um pulo para resolver outro inquietamento meu: como dar uma boa aula para alguém com Transtornos de Aprendizagem? Eu mesmo, possuidor de TDAH, sempre encontrei críticas pela vida escolar. “Desconcentrado” – diziam-me e registravam no boletim. “Vive no mundo da Lua” – apontavam outros sem a menor cerimônia. Nunca achei que isso fosse um problema, mas sabia que precisava de mais atenção. Para compreender a mim mesmo e aos meus alunos, estudei os processos da Orientação Educacional, aprendendo um pouco mais a respeito. Os estudos continuaram e hoje me debruço sobre a Neuropsicopedagogia. Quem disse que seria fácil?

Crianças agitada na sala de aula

Da primeira pós para cá, foram algumas escolas e projetos que eu ajudei a fazer e a consolidar até chegar ao ALUB no fim de 2016.  Comecei na unidade de Sobradinho como professor. Quantas alegrias e aprendizados! Consegui cativar meus alunos de História e Cidadania com muito afinco e respeito por eles e pela instituição. Mesmo que em alguns momentos eu os tenha puxado para o lado lúdico com músicas e encenações.

No segundo semestre do ano passado, a escola precisou de um orientador educacional e a diretora Sandra Mara Ferrari viu em mim potencial para exercer a função. Trabalhamos duro para melhorar o atendimento da unidade, contribuir para um ambiente ordeiro e disciplinado e, principalmente, estabelecer o apoio necessário para nossos estudantes com Transtornos de Aprendizagem.

Com muito orgulho, podemos hoje olhar para o trabalho com a satisfação de quem concluiu seus objetivos principais. Este ano continuei em Sobradinho, mas o destino me chamou novamente para uma nova missão: Ceilândia. Guardarei para sempre o carinho e o afeto dos colegas, dos estudantes e da comunidade da cidade serrana, mas meu foco se desloca para minha nova unidade – de onde escrevo agora.

A vida é assim mesmo, sempre propõe novidades para aqueles que gostam de desafios. No peito a certeza de que, trabalhando sério, nunca deixando de estudar/aprender e levando muito amor em nossas ações, somos capazes de não apenas ganhar o mundo, mas transformá-lo para que todos tenham as mesmas oportunidades. Seja um aluno indisciplinado ou desmotivado, alguém com Transtorno de Aprendizagem ou até mesmo com problemas em casa, não podemos desistir. Sempre há uma meta para ser alcançada.- a aprendizagem de nossos alunos.

Professor Felipe Ribeiro de Farias Mendes da Silva

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