Herança e coragem – A história de Carla Cristina

Herança e coragem – A história de Carla Cristina

Sou Carla Cristina Santos, nascida em Paracatu, Minas Gerais. Minha infância foi na fazenda dos meus avós, com a minha família. Aos 4 anos, fui alfabetizada pela minha mãe, uma amante da Educação, na época ela era professora da escola rural próxima a fazenda, alfabetizava os produtores rurais e os filhos deles.

Eu achava divertido ir a pé pela estrada de terra para a escola, um rancho de palha, com quadro de giz, mesa e bancos de madeira e uma horta. Na hora do recreio, os alunos jogavam bola em um campinho de futebol. O lanche, era delicioso, feito pela minha mãe. Lembro que ela levava, todos os dias, o caldeirão com a sopa, ou macarrão, ou arroz com frango. Esse tempo foi bom, tive o privilégio de tê-la como minha professora no rancho de palha e minha irmã como colega de turma.

Aos 8 anos, nós nos mudamos para Brasília, pois minha mãe havia passado no concurso da SEDF. Eu e minha irmã fomos estudar na escola pública, eu na 3ª série e minha irmã na 1ª série. Este ano foi de muita alegria, marcado pelo nascimento do meu irmão, um menino lindo, loirinho, olhos esverdeados, veio alegrar ainda mais a nossa família.

Sempre fui uma aluna dedicada aos estudos, mas com dificuldades em disciplinas como Matemática. Meus pais, por trabalharem o dia todo, não tinham tempo para me ajudar nos estudos, tinham muitos afazeres quando chegavam em casa e estavam já cansados.

Fui crescendo e vendo a paixão da minha mãe pela arte de Educar, mas também via o cansaço dela e pensava que não seria educadora, queria ser dentista. Os anos se passaram e cheguei ao Ensino Médio, fui matriculada no colégio particular, meus pais sempre me motivando para seguir a área da Educação, logo no 2º bimestre do 1º ano do Ensino Médio fui estudar na Escola Normal de Taguatinga, por vontade dos meus pais, mas a minha vontade em ser dentista não tinha acabado. Mais uma vez, tive a minha mãe como minha professora na disciplina de Didática da Matemática, era uma disciplina que sempre tive dificuldade, era ótimo tê-la como minha professora. Nos dois últimos anos de Ensino Médio, a minha mãe passou a ser a diretora da escola. Então, na minha vida escolar, tive a minha mãe como minha alfabetizadora e, ao concluir o Curso Normal, tive a assinatura dela no meu diploma. Nos dois últimos anos do Ensino Médio, também tive a minha irmã como colega de escola. Sempre, mãe e irmãs juntas nos estudos.

Quando terminei o Ensino Médio, logo me casei e passei dois anos fazendo cursinho porque a vontade em ser dentista e estudar na UnB era grande, por dois anos fiz 4 vestibulares de Odontologia, mas não consegui passar. Como desejo de mãe não falha, Deus tocou o meu coração e eu vi na Educação algo promissor e que eu também me identificava, então passei na Faculdade IESB para o curso de Ciência da Educação, neste mesmo ano, o meu esposo também passou para o curso de Direito, estudávamos na mesma faculdade.  Fiz dois anos de curso e vi que não era aquilo que eu queria para a minha vida, então fiz o vestibular novamente e fui para o curso de Letras Literatura, na Faculdade Planalto, e foi lá que me graduei, em 2003.

Logo que entrei na faculdade, em 1998, comecei a trabalhar em uma escola particular em Brasília, preparatória para o Colégio Militar, foi o meu primeiro emprego na área da Educação. Por sete anos, fui professora da 3ª série do Ensino Fundamental I, na disciplina de Língua Portuguesa. Fui muito feliz nesta escola e tenho muito a agradecer tudo o que aprendi  e colaborei. Mais uma vez, eu e minha mãe estávamos juntas, eu como professora e ela como minha coordenadora. O destino sempre nos unindo. Alguns anos à frente estávamos eu, minha mãe e a minha irmã trabalhando nesta escola. Tudo maravilhoso!Até que, no dia 21 de janeiro de 2003, um grave acidente de carro tirou o meu irmão de nós. Eduardo, com 20 anos,  foi morar com Deus e deixou-nos aqui, sem chão. Neste momento, eu me vi como o suporte para a minha família, já casada há 8 anos, com a minha casa montada, abandonei tudo e eu e meu esposo fomos morar com meus pais. A minha irmã e seu esposo também largaram tudo e foram morar com os nossos pais.

Quando meu irmão partiu, eu estava grávida de 2 meses. Foi aí que eu, minha mãe e minha irmã, apaixonadas pela Educação, realizamos o sonho de abrir a NOSSA ESCOLA. Com o apoio do meu pai e dos esposos, acreditamos no nosso sonho e o concretizamos.

No ano de 2003, eu já concursada pela SEDF como professora da Escola Classe 01 de Brazlândia, na disciplina de Língua Portuguesa, no período noturno e na escola particular, durante o dia, acompanhava, nas horas vagas, a construção da nossa sonhada escola. Neste mesmo ano, dia 16 de agosto, nascia a minha filha Maria Eduarda, chegava para preencher um enorme vazio no coração de cada um de nós que ainda sofríamos pela perda do meu querido irmão. Foi uma alegria imensa!

Em 2004, nossa escola estava pronta, cada tijolo foi acompanhado por toda a família. As matrículas iniciaram em setembro de 2003, com a escola ainda em construção. O nosso amor por àquele projeto nos fez acreditar em uma educação que valorizasse primeiramente o ser humano. Um olhar diferente para a aplicação do conteúdo, trabalhando a parte prática para a construção da teoria. Uma família de mãe e filhas ousadas, em meio a tantas escolas renomadas, inaugurar uma escola que não adotava livro didático, acreditando que para o aluno aprender, ele precisava ser o construtor do seu conhecimento.

Foi aí que, no ano de 2004, tive que fazer uma escolha, pois na vida não podemos ter medo de arriscar e, acreditando nisso, pedi exoneração da SEDF e da escola particular para participar de corpo e alma da nossa Escola Sagarana. Uma escola inserida na comunidade de Vicente Pires – Brasília e com uma proposta bem ousada. A escola dos sonhos, a escola da família apaixonada pela Educação, a escola que acreditava que para Educar verdadeiramente e construir uma aprendizagem sólida e concreta precisa de amor, de acreditar na autonomia do aluno para construir o seu próprio conhecimento.

No ano de 2016, conheci os gestores da Rede Alub e vi, também neles, um amor pela Educação, uma visão bem parecida com a minha, foi então que o namoro com a Rede Alub começou. Em 2017, a tão sonhada escola Sagarana fechou suas portas para dar espaço ao Colégio Alub e o melhor de tudo é que continuei sendo a diretora da unidade de Vicente Pires II – sede XII.

Hoje, em 2018, continuo sendo a Carla Cristina, que aos 4 anos de idade foi alfabetizada, cresceu em uma família apaixonada pela Educação e encontrou uma gestora, Learice Alencar, também apaixonada pela Educação e que pensa como eu, que Educar é amar, que educar é se entregar, que Educar é mais que ensinar, que Educar é viver. E é assim que faço a gestão desta tão renomada escola, na qual me sinto dona também, pois a cada sorriso no rosto de um aluno, pai e colaborador, tenho a certeza de que escolhi o caminho certo que tanto minha mãe almejava, SER EDUCADORA.

Hoje estou caminhando para ser Mestre em Educação, porque na vida, não podemos parar de Estudar, o conhecimento deve ser contínuo, e na próxima contarei a vocês a minha trajetória como Mestre em Educação e o sucesso cada vez maior na Gestão do Colégio Alub.

 

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