Responsabilidade com o Brasil

Responsabilidade com o Brasil

por: Arthur Pinheiro Machado | Diário do Comércio Industria & Serviços (DCI)

Arthur Pinheiro Machado em um auditório de iluminação fraca palestrando para uma grande multidão

Ousar, construir o novo e inventar o futuro é uma grande oportunidade.

Sempre que sou questionado sobre os motivos pelos quais decidi abrir uma nova bolsa no país, faço uso da célebre frase do filósofo e ensaísta espanhol Ortega Y Gasset, que diz que se vive por uma crença e se morre por uma ideia. Explico.

Se por um lado é indiscutível a necessidade de que o país tem de uma nova bolsa de valores adequada ao cenário mundial e que atenda as latentes carências de desenvolvimento do mercado brasileiro, detalhando ainda todos os aspectos econômicos, técnicos e operacionais que conhecemos; por outro lado, a bolsa é apenas uma ideia, que carrega, em si, uma forte crença.

Assistimos hoje a facilidade com que tecemos críticas ao país, discorrendo sobre sua imoral desigualdade e seus problemas estruturais; sobre o conservadorismo atávico que nos é peculiar; sobre o opaco sistema politico, que carece de representatividade e eficácia; e sobre nossas dificuldades econômicas e estratégicas. Formam, essas críticas, um mar de fragmentos tratados de forma parcelada e disjunta, numa clara incapacidade de organização do todo. São como peças unidimensionais de um quebra-cabeça, por essência, multidimensional.

Vistos de forma particular e fragmentada, nossos grandes problemas são resumidos a análises simplistas e etiquetadas. Nossa sociedade, assim, acaba sendo percebida e tratada como a soma de grupos que se organizam e disputam recursos finitos, ao invés de um único corpo orgânico e interligado.

Portanto, quem se propõe a pensar o todo, o complexo? Aliás, bela palavra cuja origem, complexus, revela o significado daquilo que foi tecido em conjunto, portanto inseparáveis constitutivos do todo, se modificando à medida que altera e inter-retroage com os meios e fins, de forma não linear. Ao Brasil, falta nesse momento esse pensamento maior, que não se prende ao olhar despedaçado, e que constitui, sim, o todo. Afinal, quem pensa o Brasil de hoje e o de amanhã?

A discussão de novas tecnologias, as quais propomos inovar, a atuação em novos mercados – combinando fintechs, blockchains, novas ordens, clearing, rediscutindo o acesso a novas empresas e promovendo alterações regulatórias -, e a criação de uma rede que une capital, oportunidade e inteligência são ideias que refletem a ousadia de pensar o país de forma completa e complexa. Também refletem a coragem de fazer com que as ideias se concretizem.

Quebra Cabeças

É muito mais que uma ação corajosa. É uma ação corajosa em um momento em que enfrentamos uma forte transformação, provocada em parte pela tecnologia, que nos obriga a buscar um novo porto e liderar, juntos, um processo de transformação do país.

Portanto, nossa responsabilidade vai se desenhando maior do que apenas tratar de ideias pontuais. Nos propomos a ocupar não apenas o espaço previsto em nosso campo de atuação, mas também contribuir e atuar no deserto de discussões e princípios deixados por segmentos que se furtaram de agir quando se fez necessário.

É uma enorme responsabilidade e também uma enorme oportunidade. De ousar, de construir o novo e inventar o futuro. É, portanto, na crença nesta capacidade de transformação – da necessidade de tratar os desafios e problemas do Brasil de forma conectada, complexa e como um todo – que reside a nova bolsa de valores. Afinal, vivemos com a energia de nossas crenças.

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